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100 metros rasos

Hoje eu me deparei com uma questão que já estava na minha cabeça há tempos, mas não sabia se era com ela o problema. Eu como diretor de arte-wannabe tive que desenhar alguma coisa em alguma peça. Foi então que eu me lembrei que não fazia absoluta idéia de como é desenhar. Sério. Meus raffs, drafts e storyboards são todos feitos com bonequinhos de palito por um motivo: Treinar bonequinhos de palito. De grão em grão, né?
Eis que, finalmente, surge a questão: É preciso saber desenhar para ser um bom diretor de arte? Eu vejo da seguinte forma: É preciso ser velocista para ser um bom tenista? Correr mais ajuda, mas definitivamente não é necessário.

Sorriso, Sorriso…

Uma professora de criação pede pra que comecemos um texto com uma palavra. De tantos em tantos minutos, ela solta uma outra palavra, que tem que ser inserida no texto quase instantâneamente. O resultado é esse aí ó.

Sorriso era o nome do sorveteiro que sempre passava perto de casa nas minhas férias de verão. Pontual, ele sempre passava perto da quadra de areia de tarde, perto das quatro horas – horário exato do fim da sétima partida de futebol. Não fazia idéia porque o apelido dele era sorriso, até porque o mesmo não tinha os dois centro-avantes, como o nosso tempo. Mas o picolé dele escondia algo nefasto. Algo que eu jamais desconfiara e, sinceramente, não precisava saber. O processo de fabricação dele. Era feito à quatro mãos. De uma mesma pessoa. Sem luva.
Pra mim, aquilo foi quase como um tapa de luva, que não estava sendo utilizada, aliás. Quase um UFC com ganesha, pra falar a verdade. Sorriso, então, passara de um vendedor de picolé simpático para o disseminador da discórdia e caos no formato de um picolé. E o plano dele, de fato, era mais perverso do que eu imaginara. A margem de lucro dos picolés – que convenhamos, 50 centavos pra Tang e água – era convertida para o diabólico plano. Retirar as mãos do Ediuárdi, o filho meio chernobyl de Sorriso. Tudo bem até aí. O que eu não sabia era o que esse cara queria fazer com as mãos sobressalentes. Eu já li aquele conto lá, besta de cinco dedos. E também vi familia Addams. Eu sei do que uma mão é capaz de fazer. Ainda mais quando não tem escrúpulos em não usar luvas.
Eu realmente tinha mais medo dessas mãos do que de escorpião. Se eu achasse um no meu sapato, beleza, baigon, querosene e fósforo. No match for her. E se viesse a porra de uma mão com instinto assassino e anti-asseio? Eu teria que enfiar álcool gel no tênis, que é impossível de se achar nessa cidade. Ou então esperar a mão me atacar com um travesseiro enquanto eu estivesse dormindo. Vai saber, eu ainda prefiro acreditar que Ediuárdi fosse fruto de uma boa travesseirada minha.


enquanto isso:


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